segunda-feira, 11 de novembro de 2019

EVO MORALES, MADURO E LULA: A ESQUERDA LATINO-AMERICANA TRANSFORMOU-SE NUM BAGAÇO DE CANA MOÍDA...


Urnas repletas de votos já preenchidos – adivinhem em favor de quem – foram fotografadas a caminho de seu destino fraudulento. 

Em algumas seções, Evo Morales teve 100% dos votos, mais do que os líderes soviéticos no auge do poder.

Infamemente, o Tribunal Eleitoral interrompeu a contagem quando 83% dos votos haviam sido apurados e estatisticamente comprovavam: Evo Morales venceria, mas iria a segundo turno contra Carlos Camacho.

Quando a apuração foi retomada, todo mundo sabe o que aconteceu. Evo achou que, espertamente, tinha garantido, fraudulentamente, a vitória já no primeiro turno – eliminando a hipótese de perder no segundo. 

Acabou renunciando.

Todas as irregularidades mencionadas acima aconteceram antes que a Organização dos Estados Americanos apresentasse seu relatório com uma análise mais profunda da operação fraudulenta em toda sua dimensão, sendo a mais escandalosa a transferência dos dados para um servidor externo. Tipo um fantasma digital com o dom de alterar o resultado.

Como a diferença necessária para dar menos de 10%, eliminando assim o segundo turno, era de algumas dezenas de milhares de votos, não foi exatamente difícil.

Chamar a OEA de golpista e atribuir a ela, via Estados Unidos e seus aliados entre países governados pela direita, Brasil incluído, propósitos malignos faz parte do chororô, mas não dos fatos.

Em circunstâncias diferentes, o uruguaio Luis Almagro teria uma atuação muito menos visada – e também mais discreta, Mas ainda não obteve o dom de derrubar governos, mesmo que queira.

Evo Morales renunciou em condições evidentemente anômalas: a polícia se amotinou, anunciando que não ia reprimir manifestações populares, O recado do general Williams Kaliman, de que era melhor renunciar para restaurar a paz social fechou a conta.

Como curiosidade de pé de página da história: Kaliman vivia elogiando Evo, inclusive para desgosto de outros comandantes militares. 

Chegou a chamá-lo de “presidente favorito” por seus oficiais pelo afagos – e verbas – dirigidos mas Forças Armadas.

Evo imaginava que isso, mais a “refundação”, a doutrinação, os bônus e sabe-se lá que favores clandestinos infames no país da coca lhe garantiam a conivência dos quartéis. Enganou-se.

Pode ser chamado de golpe o que aconteceu não Bolívia? Tecnicamente, sim.

Se o poder armado “aconselha” a renúncia, em meio a manifestações cada vez mais exaltadas, o presidente deixa de ter a garantia de proteção pelos detentores do uso da força.

Também pode ser argumentado, e bem argumentado, que num momento gravíssimo, em que a paz social ia para o buraco, levando o país junto, os comandos militares interferiram in extremis.

O que vai acontecer a partir de agora estabelecerá se foi um golpe clássico ou não. Se voltarem para os quartéis, depois de convocadas, realizadas e chanceladas eleições, não foi.

Se ficarem no Palácio Queimado, queimam-se as chances de uma revitalização democrática.

Na Bolívia, os ânimos estão quentes, com saques e incêndios de casas de figurões do governo, inclusive de Evo Morales.

Pode ser um aspecto da justiça popular, favorecida por ele quando implementou legislação abrindo caminho à “justiça tradicional”. 

Tradução: linchamentos decididos por tribunais populares segundo a antiga tradição dos povos indígenas.

De qualquer maneira, os abusos precisam ser controlados. Os bolivianos merecem coisa melhor.

Escreveu um leitor anônimo no El País, tentando explicar o que estava acontecendo, um pouco antes da renúncia: 

“Todos os bolivianos, todo o povo da Bolívia, como talvez nunca na história, os jovens que só conheceram este presidente, os povos indígenas da Amazônia e dos Andes, as mulheres, os ricos e os pobres, os mineiros e os médicos não querem mais o tirano.”

Atribuir um momento assim a manipulações da OEA e conspirações da direita é de uma pobreza intelectual que não só diminui a bravura e os anseios dos bolivianos, como indica uma triste regressão de uma esquerda que perdeu a capacidade de análise e de autocrítica. E, mais triste ainda, resolveu se aliar com tiranetes. - Texto gentilmente roubado lá do Blog de Orlando Tambosi - A manchete e a imagem não fazem parte do texto original - 

MINISTRO MORO BOTA PEGADO EM LULA, SE OPÕE AO STF E EXIGE QUE O CONGRESSO ENFRENTE O JUDICIÁRIO



Gustavo Uribe

O ministro da Justiça, Sergio Moro, entrou no embate em defesa do governo Jair Bolsonaro (PSL), reagiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se contrapôs ao  Supremo Tribunal Federal (STF) ao sugerir pressão sobre o Congresso para a volta da prisão logo após condenação em segunda instância.

Moro virou peça fundamental na estratégia do Palácio do Planalto no enfrentamento às críticas de Lula. Desde a decisão do Supremo pelo veto à prisão em segunda instância na quinta-feira, dia 7, com a consequente soltura do petista na sexta-feira, dia 8, o tom dos ataques e contra-ataques tem subido. Essa escalada não deve parar.

RESERVADOS – Bolsonaro e seus ministros, por orientação do Planalto, não deveriam se manifestar sobre o julgamento que determinou o início do cumprimento da pena somente após esgotados todos os recursos — o chamado trânsito em julgado.

O presidente, a princípio, ainda ignoraria as declarações do petista. Lula ficou 580 dias na prisão por decisão de Moro, então juiz da Lava Jato que o condenou por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).

ARTILHARIA – Em discursos, tanto em Curitiba como em São Bernardo do Campo (SP), seu reduto político, o petista direcionou sua artilharia a Bolsonaro, Moro e ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Com a repercussão das declarações de Lula, Bolsonaro tem reavaliado a forma de reagir. Inicialmente, as respostas ficariam a cargo de ministros, como o próprio Moro e o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), em um tom controlado, além de congressistas bolsonaristas, livres para responder ao petista.

ALGOZ – O plano, porém, não obteve o resultado esperado. Agora, Bolsonaro vai ampliar a resposta e seus ministros também. Moro então entra em cena com posicionamentos mais fortes e assumindo a posição de algoz de Lula e duro crítico da corrupção.

“A resposta aos avanços efêmeros de criminosos não pode ser a frustração, mas, sim, a reação, com a votação e aprovação no Congresso das PECs [propostas de emendas à Constituição] para permitir a execução em segunda instância e do pacote anticrime”, escreveu Moro neste domingo (10) em rede social.

OUTDOOR –  A mensagem do ministro foi publicada com uma foto de um outdoor com apoio às suas iniciativas — de um lado aparece Moro e de outro, Bolsonaro. “Toledo e o Brasil apoiam o pacote anticrime do ministro Sergio Moro”, diz o cartaz.

Apesar do silêncio de Bolsonaro sobre a decisão do STF, Moro lamentou o “revés” do resultado do julgamento — que terminou em 6 a 5 contra a execução antecipada da pena —, ao dizer que “lutar pela Justiça e pela segurança pública não é tarefa fácil”. O ministro da Justiça afirmou que a jurisprudência da Corte deve ser respeitada, por isso virou seu foco para o Congresso.

“CANALHA”– No sábado, dia 9, Lula havia chamado Moro de “canalha”. Ele dissera também que o procurador Deltan Dallagnol montou uma “quadrilha” no comando da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Moro, em seguida, foi ao Twitter: “Aos que me pedem respostas a ofensas, esclareço: não respondo a criminosos, presos ou soltos. Algumas pessoas só merecem ser ignoradas”.

Essa atuação de Moro é de grande importância para o Planalto. Interlocutores do presidente avaliam que, além de ser mais popular do que Bolsonaro, como mostram pesquisas de opinião, Moro tem mais legitimidade para mobilizar protestos contra Lula e a alegada suspeição do ex-juiz nos casos envolvendo o petista.

ANULAÇÃO DA CONDENAÇÃO – A defesa do ex-presidente questiona a imparcialidade de Moro na condução da Lava Jato. O caso deve ser julgado neste mês na Segunda Turma do Supremo. Esse julgamento, que pode anular a condenação do tríplex, tornaria Lula novamente elegível, o que representaria uma ameaça a Bolsonaro em 2022.

O entorno do presidente diz acreditar que a pressão popular pode convencer o ministro Celso de Mello, cuja posição ainda é uma incógnita, a não votar pela suspeição de Moro.

“ATREVIDO” – Para o Planalto, no entanto, os sinais emitidos recentemente pelo decano não são animadores. No final do mês passado, ele afirmou que o vídeo publicado por Bolsonaro em uma rede social, no qual compara o STF a uma hiena, evidencia que “o atrevimento presidencial parece não encontrar limites”.

Além de Moro, Heleno, por exemplo, tem saído em defesa do governo. Esses movimentos são a resposta, segundo interlocutores do presidente, a uma perda de espaço de Bolsonaro.

No fim de semana, com o discurso inflamado, Lula ocupou espaço majoritário nos veículos de comunicação e conseguiu, segundo análises internas do Planalto, maior adesão que Bolsonaro em sua arena favorita: as redes sociais.

AMEAÇAS – A defesa é que o presidente não pode abrir mão de capitanear a narrativa sobre seu próprio governo. O plano de ação é defendido principalmente por integrantes do núcleo ideológico, formado por seguidores do escritor Olavo de Carvalho. Ele, porém, tem ganhado apoio também no grupo moderado, formado por integrantes da cúpula militar, para os quais as críticas do petista “ameaçam a ordem social”.

No sábado, o Planalto começou a monitorar o risco de protestos pelo país. Bolsonaro recebeu no Palácio da Alvorada integrantes da cúpula das Forças Armadas para discutir o assunto.

IMPERDOÁVEL, STF!!!


Percival Puggina

O que aconteceu na sessão do STF da última quinta-feira, 7 de novembro, não foi uma simples decisão sobre tema constitucional. Foi uma ação articulada, complexa, que devolveu às ruas e às negociatas mais de quatro mil criminosos sobre cuja culpa o próprio Direito brasileiro não admite dúvida.

O presidente Dias Toffoli poderia não ter pautado a matéria. Optou por fazê-lo e colher o resultado previamente conhecido. Abriram-se, então, as portas das prisões para que, “de cambulhada”, na expressão tão repetida pelo ministro Marco Aurélio, fossem libertados corruptos, corruptores, líderes de organizações criminosas, bandidos endinheirados, réus confessos, que praticaram o maior assalto a um país na história universal. Não estranharei se até o dinheiro roubado e devolvido lhes for restituído, pois não podem ser considerados culpados antes do Juízo Final...

Aquela saudável sensação de justiça sendo feita EXAURIU-SE.  A associação criminosa entre políticos e empresários recuperou o status privilegiado da impunidade. O baixo risco dos negócios passará a reativar os canais da corrupção. E os que se exibiram à nação como guardiões da pureza constitucional acabaram ampliando a hostilidade da nação à sua Carta, ao STF, à política e às instituições do país. Essa é a colheita de uma deliberação infame que transmitiu à sociedade inequívoco sentimento de derrota e desesperança.

A maioria de circunstância (para usar a expressão de Joaquim Barbosa ao encerar o julgamento do mensalão) responsável pela imperdoável decisão, contou com a reversão de duas convicções. Com efeito, a mostrar quão movediças podem ser certas dissertações jurídicas e quão infiel pode ser o amor à lei, Dias Toffoli e Gilmar Mendes já haviam votado anteriormente sobre tal assunto expressando convicção oposta. Não fosse esse giro retórico de 180 graus, o placar da deliberação da última quinta-feira teria sido de 7 a 4 no entendimento oposto. E a nação, insisto em dizer, estaria servida, o interesse público resguardado, a estabilidade jurídica reafirmada e a justiça preservada.

Gilmar Mendes, ao justificar sua mudança de opinião, afirmou que “sempre teve ‘inquietação’ com a possibilidade de prisões serem realizadas de modo ‘automático, sem a devida individualização’ e que seu pensamento evoluiu, desde 2016, por conta de mudanças no contexto do sistema penal do país”. Ou seja, não foi a leitura silábica e rasa do texto constitucional que o influenciou, mas a apreciação que fez do sistema penal. Poderia olhar o bem do país, avaliar o estrago que estava fazendo, medir o impacto ético da decisão adotada. Mas não quis. Preocupou-se mais com o “contexto do sistema penal do país”, seja lá o que isso queira dizer.

Agora é hora de pressionar os congressistas. Façam eles – e façam logo – o que já deveriam ter feito, dirimindo para sempre as dúvidas sobre as condições que devem orientar o início do cumprimento das penas de prisão.

A VIA CRUCIS DA LAVA JATO


José Adalberto Ribeiro

Olha só quem aflorou no recinto! O cientista político The Gaulle. Ele baixou no terreiro para assistir à Via Crucis da Operação LavaJato na segunda instância. Depois de combater as tenebrosas transações de corrupção, a LavaJato cumpre a sua Via Dolorosa. The Gaulle proclamou que o julgamento dos corruptos na NONAGÉSIMA INSTÂNCIA  é uma decisão muito séria.   

Fica decretado que ser corrupto é padecer no paraíso verde-amarelo até o Dia do Juízo Final. Ô-lê-lê! Ô-lá-lá!

Alegrai-vos, corruptos, com o tráfego em julgado no Dia de São Nunca! Alegrai-vos, camarilhas do Mensalão, do Petrolão, dos corruptos do BNDES e das estatais! Não vos inquieteis! A prescrição dos processos da LavaJato já está a caminho.

Um passarinho me contou que a mundiça vermelha está celebrando pelo avesso a cantoria do profeta Ruy Barbosa em sua cantoria chamada de “Oração aos Moços, às Moças e à Galera da Terceira Idade”, publicada na conta do cabeção no Instagram. A saber:

“De tanto ver triunfar as sumidades; prosperar a honra, crescer a justiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos colaboradores da Operação LavaJato, os homens do sexo masculino chegam a desanimar-se da roubalheira, a rir-se da desonra, a ter vergonha de ser desonesto”.

De agora em vante nenhum corrupto poderá ser preso até o tráfego em julgado na NONAGÉSIMA INSTÂNCIA. 

Com ou sem incontinências verbais do Capitão Marvel, não dá para ter saudades da corrupção e degradação moral da mundiça vermelha. Impossível esquecer os crimes de lesa-pátria e o legado nefasto dos vermelhos, de 14 milhões de desempregados. O desemprego e a corrupção, em todas as instâncias. Impossível ser feliz com a vitória dos corruptos e da corrupção.

Os demiurgos, entidades intermediárias entre o céu e a terra, entenderam que os corruptos só podem ser presos na NONAGÉSIMA INSTÂNCIA. As elites de meia tigela deste infeliz Nação brasileira hoje giram em torno dos umbigos vermelhos de um presidiário.

Ó venerável Ulysses Guimarães, penhor da Constituição Cidadã! Ó Constituição, quantas patifarias estão sendo cometidas em teu nome!

O BRASIL VIROU UM PUTEIRO: STF DECIDIU QUE BANDIDO NÃO SERÁ PRESO ENQUANTO PUDER PAGAR BONS ADVOGADOS


Alexandre Garcia

Condenado a 20 anos o ex-governador de Minas Gerais do PSDB, do mensalão tucano, foi solto. Embora tenha sido condenado, e condenado. Mas, o Supremo Tribunal Federal decidiu que condenado duas vezes só não basta. Tem que continuar sendo condenado até chegar no final dos tempos, no juízo final, para cumprir a pena, o castigo merecido.

Saiu também o José Dirceu, o cérebro do PT, o primeiro a ser denunciado no governo petista. Foi logo no início do governo, aquela história dos Correios, aquela história do Waldomiro Diniz, da loteria do Rio de Janeiro. Ele acabou perdendo o cargo de ministro da Casa Civil de Lula. Voltou para a Câmara. Foi cassado. Ou seja, foi condenado pelo seu próprio poder. Mas está na rua agora. Pegou 31 anos do mensalão petista, mas está na rua.

Decisão só do Supremo? Não. Decisão dos constituintes de 88 também. Decisão também dos nossos deputados e senadores depois de 2016, quando o Supremo tomou uma decisão tentando interpretar algo que não estava muito claro.

Aí, condenado a oito anos e dez meses, sai o ex-presidente Lula, que já tem outra condenação, por 12 anos e 11 meses, por corrupção.

Eu quero resumir a decisão do Supremo, que diz o seguinte: o sujeito é declarado culpado, mas, enquanto ele tiver dinheiro para pagar advogado, ele não é preso.

O sujeito sendo corrupto, que roubou muito dinheiro, sendo assaltante, que roubou muito dinheiro, só vai para a cadeia depois de gastar todo dinheiro com os advogados. Porque, enquanto tiver recurso, ainda não transitou em julgado.

Vão mudar isso? Tem propostas na Câmara e do Senado, que estavam engavetadas, e agora está todo mundo correndo. Que vergonha, já deviam ter esclarecido isso. Agora esta correria não vai tropeçar no artigo 60 da Constituição, que diz que não é passível de decisão qualquer proposta tendente a abolir direitos e garantias individuais? E o tal de trânsito em julgado está lá em direitos e garantias individuais. Então tem que cancelar o artigo 60, suponho que seja assim.

Mas, se conseguirem tocar isso para frente, depois, quando chegar em plenário, quantos estão com rabo preso, que vão querer isso também? Assim como Maluf foi beneficiado. Ele só foi cumprir pena 25 anos depois. Um quarto de século depois do cometimento do crime. Uma coisa incrível.

O fato é que não muda o culpado. A partir da segunda instância, o sujeito é culpado sempre. Só vai mudar este empurra com a barriga. Só vai mudar o tamanho da pena.

E eu pergunto: Lula está solto sim, mas Lula estará livre? Nas praças, nas ruas, nos cinemas, nos aviões comerciais, nos ônibus, nos shoppings? Fica esta pergunta no ar.

Mas eu queria registrar a postura do presidente da República, que respeitou os poderes. Não houve nenhuma interferência, nenhum tipo de pressão, nada, zero, em relação ao Supremo. Nenhuma interferência em relação a um preso que estava cumprindo pena em um prédio do Poder Executivo, custodiado por uma instituição do Poder Executivo. O chefe do Poder Executivo não interferiu em nada. Exemplo de tolerância, respeito às instituições e ao adversário.

Já o condenado, depois de solto, atacou, ofendeu o Judiciário, autoridades, agentes da lei, com o costumeiro linguajar. Uma das frases dele é “temos que seguir o exemplo do povo da Bolívia, Chile e Equador”. Tentaram derrubar o presidente do Chile e não conseguiram. O presidente da Bolívia Evo Morales, depois de 13 anos no poder, a eleição que iria dar-lhe mais um mandato, foi contestada pela Organização dos Estados Americanos, pelo povo nas ruas, e lá pelas tantas ele perdeu o apoio das Forças Armadas e renunciou. Agora Bolívia vai fazer eleições de novo. E a saída de Evo Morales criou um profundo e sério desfalque nos objetivos do Foro de São Paulo. - A manchete e a imagem não fazem parte do texto original -

LULA ESTÁ SOLTO, LIVRE NUNCA!!! POIS CONTINUA FICHA SUJA...


Magno Martins

O lulismo-petismo se vestiu de vermelho e ganhou às ruas para comemorar a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confundindo soltura com pré-candidatura presidencial. Que fique claro: o chefe da quadrilha dos escândalos do mensalão e do maior assalto aos cofres públicos da República – a quebradeira na Petrobras, operação que resultou na Lava Jato – é ficha suja, inelegível.

O ato insano do Supremo, que envergonhou a Nação, só interfere na retirada dele da cadeia. À luz do direito eleitoral, Lula continua fora de qualquer disputa, até que o processo ande e chegue ao veredito final aos olhos das excelências do Superior Tribunal Eleitoral. Diz a lei que condenado em segunda instância, como ele está, não pode disputar nem eleição para síndico.

Ressalte-se ainda que, pelas atrocidades cometidas pela “alma mais honesta do País”, para não dizer ao contrário, restam pela frente mais 11 processos em suas costas.

FALTA A LEI SECA – O soco no estômago da sociedade dado sem piedade pelo STF me fez relembrar uma canção de Cazuza, feita há 30 anos: “Te chamam de ladrão, bicha, maconheiro, transformam o País inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro”. Só falta Lula ser flagrado dirigindo embriagado para sepultarem também a lei seca. O 6 X 5 causou mais vergonha do que o 7 X 1.

DEUS LIVRE O BRASIL!!! – Em seu discurso inflamado ao sair da prisão, Lula insuflou o povo brasileiro a copiar o Chile, nas ruas em guerra civil, e ainda disse que iria ensinar seus adversários a governar. Se Bolsonaro se render à cartilha lulista de governar, o País vai se ferrar. Não haverá cofre público que resista. Só na Petrobras foram surrupiados R$ 48 bilhões.

domingo, 10 de novembro de 2019

OS EMPRESÁRIOS DE GARANHUNS NA MAGIA DO NATAL




Por Hélder Carvalho

Nos meus 25 anos de Garanhuns estou bastante feliz por vê-la coma estar: toda engalanada e repleta de turistas, todos ganhando e transformando a localidade onde vive em algo melhor, observando este evento de forma MACRO, percebo e falo pra todos com quem converso  que temos um dos melhores achados dos  últimos tempos.  Um evento que é nosso ao ser  criado pelo ex-prefeito Luiz Carlos quando era presidente da CDL e adaptado e evoluído na gestão Izaias Régis, que está inclusive de parabéns por deixar este evento tão bonito e organizado. É verdade que  faltam algumas melhorias como mais lixeiras, guardas ou seguranças para as pessoas não invadirem os canteiros de plantas machucando-as e tantos outros  pequenos detalhes, mas de grande valia para o êxito total da festa de final de ano. 



Outra desarmonia e falta de sensibilidade que percebi são as placas publicitárias de pontos comerciais no meio da decoração, lojas ao fechar deixam caixas de papelão no meio da praça e no calçadão demonstrando uma total falta de respeito com o grande evento que a cidade realiza. Quanto aos   empresários que possuem os melhores locais ou até mesmo ter locais estratégicos precisaria ter um mínimo de sensibilidade para que o empreendedor local possa trabalhar, gerar emprego  e desenvolver a cidade, assim promovendo o comércio local, que com o passar do tempo vive dias ruins, chegando a se cobrar até um  mil reais o dia de aluguel, muitos deles preferindo deixar o ponto  fechado em vez de alugar por um preço mais modesto. 


Como empresário sou vítima desse escorchante preço do aluguel.  Costumava trazer  um pista de patinação no gelo por três anos consecutivos, e, este ano,  um dos fatores que inviabilizou o nosso negócio foi o aluguel absurdo, muitas vezes ficamos frustrados por ter tanto potencial mais ser impossível seguir em  frente por  falta de compreensão de muitos que só pensam no seu próprio umbigo. Este é o lado ruim da MAGIA DO NATAL, pois estamos diante de  uma cidade que tem um potencial enorme, onde vejo em um futuro próximo procurar manter  um diálogo com estes empreendedores e estes donos de pontos comerciais no centro da cidade para que juntos possamos desenvolver o seu comércio num período em que a cidade está abarrotada de gente  que vem de todos os quadrantes para nos visitar e gastar o seu dinheiro conosco. 


Em caráter de urgência, a cidade de Garanhuns necessita ter postos de trabalhos para que essa juventude possa se ocupar e não conviver com especuladores que aproveitam do momento para se locupletar e só visam o lucro a todo custo.   Pois bem,  esta semana recebi  um pedido e vou deixar aqui para que possamos refletir e  mudar nossa mentalidade em defesa de um bem estar para o comércio local. Eis a carta que recebi através de whatsapp de um jovem desesperado a procura de emprego: “Boa noite Helder, perdão pelo horário. Venho  te pedir ajuda porque não sei mais o que fazer. Estou precisando muito de um emprego e queria que você me ajudasse. Eu tenho experiência na área administrativa, vendas e atendimento. Eu preciso muito de um emprego e você é uma das pessoas que mais admiro aqui em Garanhuns(...)”. 


Esta é a dura realidade da juventude de Garanhuns... Se não já bastassem os números alarmantes de pais e mães de famílias desempregados a situação se agrava ainda mais entre a juventude. Devido a um alto nível de desemprego entre os jovens, seus sonhos e anseios são amputados pela vontade feroz e desumana de alguns. E o pior é que     o aprofundamento da crise tende a aumentar até  mesmo em Garanhuns que, anualmente, produz três festivais de grande porte. Temos que encontrar uma saída e não restam dúvidas que a juventude é nesta crise atual a maior expressão da resistência para que possamos, juntos, soerguer a economia de nossa cidade.

















O SEBOSO DE CAETÉS TÁ LIVRE?!?!?! NÃO!!! APENAS SOLTO...

LAPA DE CORRUPTO EMBARCANDO NO JATINHO FINANCIADO PELOS PAGADORES DE IMPOSTOS
Augusto Nunes

Graças à leniência de seis ministros do Supremo, Lula deixou de ser presidiário. Mas manteve o desmoralizante status de condenado em três instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-presidente recuperou o direito de contar mentiras em palanques, mas não será candidato a nada. A Lei da Ficha Suja não foi nem será revogada pelo Supremo. No maior saidão da história, Lula puxou a má fila de assustar até algum chefão do PCC. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirma que 4.895 prisioneiros serão libertados. Já não seria pouca coisa. Mas juristas sérios informam que podem passar de 150 mil os bandidos devolvidos às ruas. Os brasileiros decentes que tranquem as portas e escondam o dinheiro.

domingo, 27 de outubro de 2019

AQUI ME TENS DE REGRESSO



Por Altamir Pinheiro
Em junho deste ano foi celebrado o centenário de nascimento de Nelson Gonçalves, um dos maiores cantores da história da música brasileira. Sua voz poderosa chegou a ditar padrões do que seria um verdadeiro intérprete, assim como os de Orlando Silva, Ângela Maria, Aguinaldo Timóteo e Altemar Dutra e na década de 70, Nilton César. O consagrado Rei do Rádio a voz de ouro  da década de 50, apesar de ter falecido em 1998, Nelson  chega aos 100 anos reabilitado, embora esquecido. Maior vendedor de discos no Brasil nos anos 1950, o gaúcho de Santana do Livramento encarnava a fama  do macho alfa: mulherengo, valentão, beberrão, cheirador de pó e dono de um potente vozeirão, como  também um potente soco por ter sido  um lutador amadorista de boxe. 
Intérprete que cultivou uma imagem tão extremada quanto a de suas canções — grandes sucessos da música brasileira que tratavam de amores torturados, desejos irrefreáveis, noites de desvario e vidas condenadas pelo pecado. Nélson Gonçalves era um extremado bravateiro.  Com o tempo, cada uma de suas bravatas — a de que fora pugilista implacável, cafetão, malandro da Lapa, amante que levava as mulheres a atear fogo ao próprio corpo e cantor elogiado por Frank Sinatra — foi caindo por terra. Especialmente após a publicação, em 2002, da biografia não-autorizada “A revolta do boêmio”, de Marco Aurélio Barroso. Mas o talento não. 
Na biografia “A REVOLTA DO BOÊMIO”, escrita por Marco Aurélio Barroso, o cantor Nelson Gonçalves é descrito como um homem despreparado para as responsabilidades da vida: cavalos no Jóquei, cocaína e estupro. Você já leu isso em algum lugar: Nelson Gonçalves bateu o recorde mundial com suas 2 mil gravações, o que lhe rendeu uma viagem a Nova York um encontro com Frank Sinatra. Antes, porém, foi lutador de boxe e cafetão na Lapa. Madame Satã, o homossexual malandro da Lapa dos anos 40, serviu de testemunha numa surra que Nelson deu em Miguelzinho Camisa Preta. 
Você já leu todas essas informações em muitas reportagens e algumas estão no filme Nelson Gonçalves, que conta a vida do cantor e tem Alexandre Borges no papel principal. Pois saiba agora: TUDO ISSO É UMA MENTIRA DESLAVADA!!! Eis a pura verdade: 1. - Nelson gravou 869 músicas. Até Chico Alves superou este número; 2. - Jamais viu Sinatra pela frente; 3. - Fez algumas aulas, e olhe lá, de boxe; 4. - Nunca teve mulher na zona, muito pelo contrário,  foi explorado pelas mulheres; 5. -  Nunca bateu em Miguelzinho Camisa Preta, porque esse personagem não existiu. Existiu Miguelzinho e existiu Camisa Preta. Invenção de Madame Satã. E, finalmente, Nelson não era gago. Era o contrário. Taquilálico. Falava rápido demais. 
Em confessional entrevista para os jornalistas Juarez Fonseca e Jussara Silva na edição da Revista ZH de 27 de março de 1977,  Nelson afirmava: “MINHA VIDA DARIA UM ROMANCE”. Nascido em 21 de junho de 1919, em Santana do Livramento,  a vida de Antônio Gonçalves Sobral (seu nome de batismo) na verdade rendeu um denso romance – farto em aventuras, desventuras, tragédias e, sobretudo, incontáveis sucessos. Seu impávido coração foi parado por um fulminante ataque cardíaco, em 18 de abril de 1998. Como cantor, no Brasil, em vendagem de discos, Nelson, até hoje, só fica atrás de Roberto Carlos. Um cancioneiro que gravou  183 discos de 78 rotações, cem compactos, 200 fitas K-7 e 127 long-plays. vendeu cerca de 75 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina. Só o registro de A VOLTA DO BOÊMIO vendeu 2 milhões de cópias. E mais:  com o português  Adelino Moreira(falecido em 2002 aos 84 anos) foram mais de 300 gravações. 
Ao lado de Orlando Silva e Francisco Alves, Nelson formou a chamada suprema trindade vocal masculina da era do rádio, nos anos 1950. Cantores cuja voz empostada conquistaram milhares de fãs e dominaram o mundo musical com seus sambas e canções de dor de cotovelo. Mas seriam muitos anos depois, 1966, que Nelson atravessaria o período mais infernal de sua vida, enfrentando um pesado vício em cocaína. E, ainda por cima, tendo sua vida pessoal escrutinada – como nunca se vira antes – pela imprensa brasileira. Em 5 de maio de 1966, Nelson foi preso sob a acusação de tráfico e, assim, entrava para a história do show business nacional como o primeiro grande artista a ir para atrás das grades em razão de seu vício.
Por fim, assista ao vídeo de Antônio Gonçalves Sobral(Nélson Gonçalves), logo abaixo,  com  o seu próprio testemunho de vida e um depoimento desagradável,  forte e chocante, uma verdadeira lição de vida que foi sua cruzada para se ver livre da famosa droga conhecida como o pozinho branco. É um testemunho impactante, contundente, sincero e marcante, o chamado renascer das cinzas, impressionante...



sexta-feira, 25 de outubro de 2019

O QUE ELES FALARAM NA RÁDIO MARANO DE GARANHUNS?



Por Altamir Pinheiro
Como eu não aconselho. Apenas opino, então lá vai:  sem o menor farelo de dúvida, na minha simplória opinião, quem se destacou nas entrevistas da Marano foram os prefeituráveis Givaldo Calado, Silvino Duarte e Hélder Carvalho. Sem citar nomes, Givaldo foi direto na jugular de boa parte dos ex-gestores. Corajosamente criticou obras de administrações passadas e foi seguro nas suas propostas apresentadas. Já Silvino matou a pau!!! Demonstrou muito equilíbrio no que dizia, esbanjou experiência, bastante ponderado e muito preparo. No tocante a entrevista de Hélder, ele apresentou boa parte do seu programo de governo tendo como destaque maior a sua futura obra prima que é a menina dos seus olhos: O CORREDOR DO FUTURO, ligando o Pau Pombo à Mãe Rainha.
Sem sombras de dúvidas os destaques maiores ficaram com esses três prefeituráveis. No caso específico do empresário Hélder Carvalho, por ser uma pessoa muito ativa e desenvolta no que faz,  como também  possuidor  de   uma linha de raciocínio THE FLASH(rápida demais), Hélder Carvalho,  se saiu muito bem apesar de seu  pequeno empecilho ou sua falha  seja  falar com bastante ligeireza.  Deve corrigir esse pequeno detalhe.
Em caráter de urgência urgentíssima, o nosso menino, boa praça, gente de primeiríssima qualidade, Haroldo Vicente,  tem que corrigir o mais breve possível  seus vícios de linguagem que são horríveis, soam mal e causa vexames,  pois  é de fazer calo no ouvido... Torna-se intolerável ter que aturar termos como Barro da Boa Vista, as avenida Santo Ontonho e Rui Babosa.  Ele nos deixa entender que  tem uma rixa pessoal contra o “R” e  a pluralização do “S”. Senão vejamos: Recusso Pópio – Seviço -  Impresaro – Nestrê – Saquifício, Agadecer, picisa e dana-se por aí afora. Ainda bem que corrigiu “em termos” o famoso e horroroso NÓS VAI  ou  A GENTE VAMOS... 
Pouco  se tem a dizer do candidato Zaqueu Lins que vem se destacando muito bem nas pesquisas de opinião pública, aliás, é um segredo que está deixando os seus adversários ligados e com um elefante atrás das orelhas. Sua entrevista se prendeu aquele velho linguajar de vereador, função esta que conhece de cabo a rabo. 
Luizinho Roldão com aquela fala mansa e descansada  se apresenta ou apresentou-se como figura de decoração, o seu linguajar arrastado que quase não se ouve o que ele balbucia serve muito bem para fazer ou dar entrevistas  em Mosteiros ou palestras em Conventos. Em que pese ter um excelente timbre de voz(parece locutor de FM), mas é muito limitado em suas explanações e simplista demasiadamente. Ao falar  revela-se ser  muito preguiçoso. Carece urgentemente de um profissional do ramo para despertar ou explorar seu potencial de conhecimento e saber levar a palavra abalizada ao eleitor. Do contrário, tem tudo pra ficar para trás no meio da poeirenta estrada ou se perder na curva eleitoral por ninguém saber o que realmente ele quer, diz, cobra ou exige   a quem quer que seja. Tem tudo para melhorar se fizer um bom uso da fonética com o  seu potente timbre de voz de tenor que se destaca entre todos os candidatos. 
O prefeiturável do PT, Dr. Pedro Cardoso,  é uma agradável figura que possui boa aparência, quem o conhece sabe da sua procedência como um cidadão de bem, mas se apresenta como um candidato   INÚTIL, pois em vez de falar sobre ele mesmo prefere colocar o nome do PT à sua frente. Tudo que diz é a respeito do partido quase nada da sua pessoa com um palavreado movido a cansativas estatísticas e pormenores enjoativos sem cabimento algum. Por isso tornou-se numa entrevista enfadonha. Ouvi-lo ou vê-lo dar um sono danado e um abrir de boca desesperador...  Se destaca apenas no campo da saúde mostrando uma certa lucidez e conhecimento de causa, além de falar um português de razoável pra bom. O resto não se aproveita quase nada... 
Sivaldo Albino é um capítulo à parte. Possuidor de um espetacular domínio de microfone, em que pese seu discurso não ser empolgante, mas é bastante compreensivo: vai direto ao assunto, com ele não tem esse papo furado  de Rolando Lero,  não!!! Se toda a esquerda de Garanhuns, com exceção da REDE Sustentável,  pender a asa pro seu lado(o que é provável) torna-se um candidato quase que imbatível. Quanto à entrevista na Marano foi o chamado chove não molha, o mastigado de sempre foi aquele que todos nós conhecemos:  recusa aqui afirma acolá, porém, anda com uma tropa de correligionários invejável. Na verdade, em sua entrevista ele  estava  acompanhado por uma reca de suplentes e de ex-vereadores, além dos partidos PSB, PSD e PMDB e outros que virão por tabela como é o caso do  PT, PC do B e mais outras correntes partidárias de esquerda com exceção da REDE Sustentável. A campanha promete!!! A sorte está lançada ou Os dados foram jogados. Façam suas apostas!!!


ALÉM DE LADRÃO, LULA É COAUTOR E COMPARSA DE ASSASSINATO!!!

NOVO DEPOIMENTO DO OPERADOR MARCOS VALERIO CITA LULA COMO UM DOS MANDANTES DO ASSASSINATO DE CELSO DANIEL E REABRE O CASO




 ELE VOLTOU – No depoimento, que também foi gravado em vídeo, Valério reproduz o diálogo que teve com Ronan Maria Pinto, em que ele teria dito que apontaria Lula como o “cabeça da morte de Celso Daniel”
ELE VOLTOU – No depoimento, que também foi gravado em vídeo, Valério reproduz o diálogo que teve com Ronan Maria Pinto, em que ele teria dito que apontaria Lula como o “cabeça da morte de Celso Daniel” (./.)
No fim da década de 90, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza começou a construir uma carreira que transformaria radicalmente sua vida e a de muitos políticos brasileiros nas duas décadas seguintes. Ele aprimorou um método que permitia a governantes desviar recursos públicos para alimentar caixas eleitorais sem deixar rastros muito visíveis. Ao assumir a Presidência da República, em 2003, o PT assumiu a patente do esquema. Propina, pagamentos e recebimentos ilegais, gastos secretos e até despesas pessoais do ex-presidente Lula — tudo passava pela mão e pelo caixa do empresário. Durante anos, o partido subornou parlamentares no Congresso com dinheiro subtraído do Banco do Brasil, o que deu origem ao escândalo que ficou conhecido como mensalão e levou catorze figurões para a cadeia, incluindo o próprio Marcos Valério. Desde então, o empresário é um espectro que, a cada aparição, provoca calafrios nos petistas. Em 2012, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) já o condenara como operador do mensalão, Valério emitiu os primeiros sinais de que estaria disposto a contar segredos que podiam comprometer gente graúda do partido em crimes muito mais graves. Prometia revelar, por exemplo, o suposto envolvimento de Lula com a morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André, executado a tiros depois de um misterioso sequestro, em 2002.
 AVALISTA – Lula foi informado sobre o pagamento ao chantagista
AVALISTA – Lula foi informado sobre o pagamento ao chantagista (Ricardo Stuckert/PT)

Na época, as autoridades desconfiaram que a história era uma manobra diversionista. Mesmo depois, o empresário pouco acrescentou ao que já se sabia sobre o caso. Recentemente, no entanto, Valério resolveu contar tudo o que viu, ouviu e fez durante uma ação deflagrada para blindar Lula e o PT das investigações sobre o assassinato de Celso Daniel. Em um depoimento ao Ministério Público de São Paulo, prestado no Departamento de Investigação de Homicídios de Minas Gerais, a que VEJA teve acesso, o operador do mensalão declarou que Lula e outros petistas graduados foram chantageados por um empresário de Santo André que ameaçava implicá-los na morte de Celso Daniel. Mais: disse ter ouvido desse empresário que o ex-presidente foi o mandante do assassinato. Até hoje, a morte do prefeito é vista como um crime comum, sem motivação política, conforme conclusão da Polícia Civil. Apesar disso, o promotor Roberto Wider Filho, por considerar graves as informações colhidas, encaminhou o depoimento de Valério ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, que o anexou a uma investigação sigilosa que está em curso.
 CRIME POLÍTICO – Celso Daniel foi morto como queima de arquivo, em 2002
CRIME POLÍTICO – Celso Daniel foi morto como queima de arquivo, em 2002 (Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo)
No depoimento ao MP, também gravado em vídeo, Valério repetiu uma história que contou em 2018 ao então juiz Sergio Moro, envolvendo na trama praticamente todo o alto-comando petista — só que agora com mais detalhes e com Lula como personagem fundamental. A história começa, segundo ele, em 2003, quando Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula, convocou-o para uma reunião no Palácio do Planalto. No encontro, o anfitrião afirmou que o empresário Ronan Maria Pinto, que participava de um esquema de cobrança de propina na prefeitura de Santo André, ameaçava envolver a cúpula do Planalto no caso da morte de Celso Daniel. “Marcos, nós estamos com um problema. O Ronan está nos chantageando, a mim, ao presidente Lula e ao ministro José Dirceu, e preciso que você resolva”, teria dito Carvalho. “Ele precisa de um recurso, e eu quero que você procure o Silvio Pereira (ex-secretário-geral do PT)”, acrescentou. Valério conta que, antes de deixar o Palácio, tentou levantar mais informações sobre a história com o então ministro José Dirceu. “Zé, seguinte: o Gilberto está me pedindo para eu procurar o Silvio Pereira para resolver um problema do Ronan Maria Pinto. Disse que é uma chantagem”, narra Valério no depoimento. A resposta do então chefe da Casa Civil teria sido curta e grossa: “Vá e resolva”.
 TESTEMUNHA – Luizinho revelou que a prefeitura era usada como caixa do PT
TESTEMUNHA – Luizinho revelou que a prefeitura era usada como caixa do PT (Bruno Santos/Folhapress)

Valério compreendeu que “resolver” significava comprar o silêncio do chantagista. No depoimento, ele relata que procurou o petista João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, a quem uma de suas agências de publicidade prestava serviços. Cunha, mais tarde condenado no mensalão, orientou-o a procurar o deputado Professor Luizinho, que tinha sido vereador em Santo André e, portanto, conhecia bem o problema. Segundo o empresário, Luizinho lhe confidenciou que Celso Daniel topou pagar com recursos da prefeitura a caravana de Lula pelo país, antes da eleição presidencial de 2002, mas não teria concordado em entregar a administração à ação de quadrilhas e àqueles que visavam ao enriquecimento pessoal. “Uma coisa era o Celso bancar as despesas do partido, da direção do partido e do próprio presidente. Outra era envolver a prefeitura em casos que beiravam a ação de gângster”, teria afirmado o deputado, conforme a versão de Valério. Seguindo a orientação recebida de Gilberto Carvalho, Valério procurou Silvio Pereira (secre­tário-­geral do PT) e perguntou se o assunto era mesmo grave e se realmente envolvia Lula, Zé Dirceu e Gilberto. Resposta: “Ele falou assim: ‘Esse assunto é mais sério do que você imagina’.”. Pereira pediu então a Valério que se encontrasse com o chantagista.
 O SEGREDO – Ronan Pinto: pedido de dinheiro em troca do seu silêncio
O SEGREDO – Ronan Pinto: pedido de dinheiro em troca do seu silêncio (Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/.)

A reunião, segundo Valério, ocorreu num hotel em São Paulo. “Eu já avisei a quem eu devia avisar, Marcos, eu não vou pagar o preço sozinho”, teria sido a ameaça de Ronan. O então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, preso no mensalão e no petrolão, também estava no encontro. “Se não resolver o assunto, eu já senti, esse homem vai explodir de vez, vai explodir o presidente, o Gilberto e o José Dirceu”, disse Valério a Delúbio depois da reunião. O empresário e o tesoureiro discutiram a melhor forma de arrumar o dinheiro para pagar a chantagem. Deu-­se, então, o encontro do mensalão com o petrolão. O petista Ivan Guimarães, que à época era presidente do Banco Popular do Brasil, lembrou os colegas de partido de que fundos de pensão mantinham aplicações milionárias no Banco Schahin. Era a hora de pedir uma retribuição. O banco aceitou fazer um “empréstimo” de 12 milhões de reais em troca de um contrato de operação com a Petrobras, no valor de 1,6 bilhão de reais. O promotor Roberto Wider quis saber de Valério se ele conversou com Lula sobre esse episódio. O empresário disse que sim. “Eu virei para o presidente e falei assim: ‘Resolvi, presidente’. Ele falou assim: ‘Ótimo, graças a Deus’.”. Mas não foi apenas isso. Valério contou ao promotor que Ronan Maria Pinto, quando exigiu dinheiro para ficar calado, declarou que não ia “pagar o pato” sozinho e que iria citar o presidente Lula como “mandante da morte” do prefeito de Santo André. Nas palavras de Valério, Ronan ia “apontá-lo como cabeça da morte de Celso Daniel”.
 MEDO – Carvalho: aviso a Valério sobre a “bomba” que estava prestes a explodir
MEDO – Carvalho: aviso a Valério sobre a “bomba” que estava prestes a explodir (Pedro Ladeira/Folhapress)

Na história recente da política brasileira, ninguém exerceu o papel de operador com tamanho protagonismo como o empresário Marcos Valério. Dono de agências de publicidade, Valério começou a atuar em esquemas de desvio de recursos públicos no governo de Eduardo Azeredo (PSDB), em Minas Gerais. Petistas mineiros conheciam muito bem os bons serviços prestados por ele aos rivais tucanos. Por isso, tão logo Lula assumiu a Presidência da República, abriram-se as portas do governo federal ao empresário. Rapidamente, Valério se tornou o homem do dinheiro sujo do PT e, nessa condição, cumpriu de missões prosaicas a estratégicas. Ele conta que se reunia com o então presidente ao menos uma vez por mês. Palpitava até sobre a indicação de ministros. A compra de apoio parlamentar era realizada às sombras, numa engenhosa operação financeira que envolvia bancos, dirigentes de partidos e dezenas de políticos — tudo na surdina. O empresário só assumiu o centro do tablado depois de VEJA revelar, em 2005, que o PTB operava um esquema de cobrança de propina nos Correios. Sentindo-se pressionado, Roberto Jefferson, o mandachuva do partido, reagiu delatando o mensalão e apresentando ao país o “carequinha” que operava os cofres clandestinos do PT. O resto da história é conhecido. O STF reconheceu a existência do esquema de suborno ao Congresso, considerou-o uma tentativa do PT de se perpetuar no poder e condenou os mensaleiros à cadeia. Lula, apesar de ser o beneficiado principal do esquema, nem sequer foi processado.
 A SOLUÇÃO – Dirceu: autorização para negociação com o chantagista
A SOLUÇÃO – Dirceu: autorização para negociação com o chantagista (Mateus Bonomi/Agif/AFP)

Por causa disso, Valério sempre pairou como um fantasma sobre o PT e seus dirigentes. No auge das investigações sobre o mensalão, ele próprio tentou chantagear o partido dizendo que se não recebesse uma bolada implicaria o então presidente da República no caso. Anos mais tarde, uma reportagem de VEJA revelou que a chantagem surtiu efeito, e o dinheiro foi depositado numa conta dele no exterior por um empreiteiro amigo. Durante a CPI dos Correios, Valério de fato poupou Lula. Ele só testemunhou contra o ex-presidente quando já estava condenado pelo Supremo. No depoimento ao MP, Valério disse que não aceitou pagar ao chantagista Ronan Maria Pinto do próprio bolso, como queriam os petistas, mas admitiu ter participado do desenho da transação realizada para levantar os recursos. De onde eles vieram? Do petrolão, o sucessor do mensalão.
 ACUSAÇÃO – João Paulo: afirmação de que Ronan estava envolvido com a morte do prefeito
ACUSAÇÃO – João Paulo: afirmação de que Ronan estava envolvido com a morte do prefeito (Aloisio Mauricio/Fotoarena)

As investigações da Operação Lava-Jato já confirmaram metade da história narrada por Marcos Valério. Para quitar a extorsão, o Banco Schahin “emprestou” o dinheiro para o empresário José Carlos Bumlai, amigo de Lula, que pagou ao chantagista. O banco já admitiu à Justiça a triangulação com o PT. Ronan Maria Pinto já foi condenado pelo juiz Sergio Moro por crime de corrupção e está preso. Valério revelou mais um dado intrigante. Segundo ele, dos 12 milhões de reais “emprestados” pelo banco, 6 milhões foram para Ronan e a outra parte foi entregue ao petista Jacó Bittar, amigo de Lula e ex-conselheiro da Petrobras. Jacó também é pai de Fernando Bittar, que consta como um dos donos do famoso sítio de Atibaia, que Lula frequentava quando deixou a Presidência. As empreiteiras envolvidas no petrolão realizaram obras no sítio à pedido do ex-presidente, o que lhe rendeu uma condenação de doze anos e onze meses de prisão. No interrogatório, o promotor encarregado do caso perguntou a Marcos Valério se havia alguma relação entre o dinheiro transferido a Bittar e a compra do sítio. Valério respondeu simplesmente que “TUDO SE RELACIONA”. O promotor também perguntou sobre as relações financeiras do empresário com o governo e com o ex-presidente Lula:
“— O caixa que o senhor administrava era dinheiro de corrupção?”
“— Caixa dois e dinheiros paralelos de corrupção, propina e tudo.”
“— Do Governo Federal?”
“— Sim, do Governo Federal.”
“— Na Presidência de Lula?”
“— Na Presidência do presidente Lula.”
“— Pagamentos para quem?”
“— Para deputados, para ministros, despesas pessoais do PRESIDENTE, todo tipo de despesa do Partido dos Trabalhadores”.

 PERIGO – Pereira: confidência de que o problema era ainda mais grave que a tentativa de extorsão contra o ex-presidente
PERIGO – Pereira: confidência de que o problema era ainda mais grave que a tentativa de extorsão contra o ex-presidente (Domenico Pugliese/.)

Condenado a mais de cinquenta anos de cadeia, Valério começou a cumprir pena em regime fechado em 2013. Em setembro passado, progrediu para o regime semiaberto, o que lhe dá o direito de sair da cadeia durante o dia para trabalhar. O cumprimento de suas penas nunca ocorreu sem sobressaltos. Ele já foi torturado num presídio e teve os dentes quebrados. Em 2008, quando esteve preso em decorrência de um processo aberto para investigar compra de prestígio, Valério foi surrado por colegas de cela que, segundo ele, estariam a serviço de petistas. Essa crença se sustenta numa conversa que o empresário teve, anos antes, com Paulo Okamotto, amigo e braço-direito de Lula. “Marcos, uma turma do partido acha que nós devíamos fazer com você o que foi feito com o prefeito Celso Daniel. Mas eu não, eu acho que nós devemos manter esse diálogo com você. Então, tenha juízo”, teria lhe dito Okamotto. “Eu não sou o Celso Daniel não. Eu fiz vários DVDs, Paulo, e, se me acontecer qualquer coisa, esses DVDs vão para a imprensa”, rebateu o empresário, segundo seu próprio relato.
 AVISO – Okamotto: ele disse que Valério poderia ter o mesmo fim de Celso Daniel
AVISO – Okamotto: ele disse que Valério poderia ter o mesmo fim de Celso Daniel (J. Duran Machfee/Futura Press)

Até hoje, o assassinato de Celso Daniel é alvo de múltiplas teorias. A polícia concluiu que o crime foi comum. Já o Ministério Público sempre suspeitou de motivação política, principalmente diante das evidências de que havia um esquema de cobrança de propina de empresas de transporte público em Santo André, que teria irrigado o caixa do PT. Se Valério estiver dizendo a verdade — e é isso que as novas investigações se propõem a descobrir —, a morte do prefeito teria o objetivo de esconder que a prefeitura de Santo André funcionava como uma gazua do PT para financiar não só as campanhas políticas mas a boa vida de seus dirigentes, incluindo Lula. A morte de Celso Daniel, portanto, poderia ter sido realmente uma queima de arquivo. Irmãos do prefeito assassinado concordam com essa tese e sempre defenderam a ideia de que a possível participação de petistas no crime deveria ser apurada. O novo depoimento, embora não traga uma prova concreta, colocou mais fogo numa velha história.