quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CONTRA FOTOS NÃO HÁ ARGUMENTOS...

 
 

O JORNALISTA MAGNO MARTINS VEM RETRATANDO COM MUITA PROPRIEDADE A SECA DO SERTÃO E AGRESTE PERNAMBUCANO:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

VOCABULÁRIO USADO PELO BLOGUEIRO MAGNO MARTINS EM SUAS ANDANÇAS NO DESERTO PERNAMBUCANO:

-A MAIOR SECA DOS ÚLTMOS 50 ANOS;

-GADO ABATIDO PELA FOME;

-COLAPSO DE ÁGUA;

-RASTRO DE DESTRUIÇÃO;

-ÁGUA BARRENTA NUM BALDE;

-LONGA ESTIAGEM;

-MORTE E DESESPERO;

-SERTÃO ESTURRICADO;

-AÇUDES SECOS;

-GADO ESQUELÉTICO;

-SOL INCLEMENTE;

-CARRADA DE ÁGUA;

-SOCA DE ABACAXI e MANDACARU QUEIMADO;

-REFÉNS DA SECA;

-CENÁRIO DRAMÁTICO E DEVASTADOR;

-AGUA SALOBRA;

- ESTOU EM TEMPO DE ENLOUQUECER...

-TRAJETO DAS VIDAS SECAS.
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


FRASES USADAS E OUVIDAS ALEATORIAMENTE PELO JORNALISTA MAGNO MARTINS EM SUA TRAVESSIA PELO SERTÃO PERNAMBUCANO:

Na terra de Lula, gado morre e água de beber só pagando;

Seu traço comum é a permanente luta pela sobrevivência numa região inóspita, marcada pelo abandono, traçada pela morte, identificada pela fome estampada na face;

A seca é um cenário de filme de terror;

Quem tem dinheiro compra a particular, cuja água vem de cacimbas, mas quem não tem bebe a água entregue nos pipas;

Carcaças de boi, vacas e novilhas empalheiradas, cenário do horror vivido por quem ainda resiste em se manter numa terra esturricada;

Levo meu filho ao médico em Serra Talhada num pau-de-arara. Nunca vi tamanho sofrimento para o bichinho, mas vou fazer de tudo para deixá-lo saudável e pronto para a batalha da vida”, afirma Maria Lúcia, que mora numa vila sem água nas torneiras e sem iluminação pública. “Isso aqui de noite vira um breu”, conta;

Carros-pipas percorrem rua por rua da cidade levando uma água imprópria para o consumo humano;

Minha vida é uma tristeza, mas vou levando assim, como Deus quer;

Essa seca, que tanto falam por aí, fez muita gente rica por aqui. Tem bolsa-família, bolsa estiagem, seguro safra, aposentadoria disso e daquilo outro. Nunca vi tantos benefícios. A seca, portanto, não tá fazendo ninguém morrer de fome. Quem morre de fome mesmo é o gado. De fome e sede, porque não há pasto e não tem água. Mas, o povo, não. Tá todo mundo rico, graças ao presidente Lula;

Seca dizima o gado e Só um criador perde 200 animais;

O semblante de fome, desesperança e da longa agonia se reflete nas palavras, nos gestos, nas emoções, muitas vezes de pingos de gente...

O peixe fede, mas serve para matar a fome dos meus filhos em casa. Não temos outra forma de matar a fome;

Deparei-me com mais de 40 animais encurralados mortos, um próximo ao outro, formando um cenário de horror nunca visto na região. Aquilo virou um verdadeiro cemitério de gado;

Perder uma criação é como perder um filho. A dor também é muito grande, porque a gente se apega muito;

As Marias, com a mesma força dos Josés, fazem serviços braçais de homens;

O pior na terra de Lula não é a falta de água, mas a mortandade do gado;

A seca é assim: escraviza, cria uma legião de esfomeados;

O único alimento que ainda resta para o gado é mandacaru queimado. Antes da seca se agravar, mandacaru era oferecido de graça aos fazendeiros. Hoje, custa R$ 70 uma carrada e não se encontra mais com tanta facilidade. “Pelo jeito, vamos perder todo o mandacaru existente no município”;

Por falta de pasto, o gado sobrevive do lixo;

No único manancial que abastece a população e no ritmo em que os pipeiros retiram água de lá corre o risco de secar muito em breve;

Água? Isso aqui só aparece uma vez por mês. “Isso dá uma dor no coração terrível”;

O drama gerado pela seca na terra de Lula é visto a olho nu, em qualquer parte da cidade. Nas ruas, tonéis enfeitam as casas à espera do líquido;

Maria não tem bolsa família nem bolsa estiagem, nem tampouco dinheiro na bolsa. Mas tem dignidade e esperança...

Bacia leiteira em colapso. Com plantel sendo dizimado;

Sem pasto e sem dinheiro para comprar ração vi o meu gado cair no chão e não levantar mais de tanta fome;

É uma área mais castigada pela seca porque suas reservas hídricas foram devastadas e seu solo é pobre para abertura de poços artesianos;

Tomo banho de cuia, mas é como se tivesse tomando banho no mar de tão salgada que é a água;

Nem xique-xique tem na minha área;

Carrego água, arranco mato, carrego areia, enfim, faço tudo, só não faço roubar, porque meus pais me ensinaram que não se deve tomar o alheio;

Os personagens mudam, mas o retrato é o mesmo;

Os traços mais assemelhados com o Fabiano, do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, se espalham agora pelo Alto Sertão;

Improviso, a emergência, os paliativos, nunca a solução duradoura;

E assim resistem os Severinos que a seca insiste em arrastar para o túmulo nos sertões, enquanto os insensatos de Brasília nada fazem. E costumam tratar o doente com os mesmos remédios de antes – o improviso, a emergência, os paliativos, nunca a solução duradoura.

Os sertanejos já não precisam de um programa, mas de um santo: SÃO PEDRO.
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MEU DEUS, MEU DEUS
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
MEU DEUS, MEU DEUS
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
AI, AI, AI, AI
A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
MEU DEUS, MEU DEUS
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
AI, AI, AI, AI
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
MEU DEUS, MEU DEUS
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois barra não tem
AI, AI, AI, AI
Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
MEU DEUS, MEU DEUS
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
AI, AI, AI, AI
Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Sinhô São José
MEU DEUS, MEU DEUS
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé......
 
 


Um comentário:

ALBERTO FIGUEIREDO disse...

Parabéns para Magno!
Estas imagens são provas irrefrutáveis que A SECA, fenômeno natural (que temos que aprender a conviver e domar)ainda sacrifica o homem por falta de políticas sérias.
Elas não deixarão de tirar vidas enquanto não aprecer no Brasil um homem/mulher honrado suficiente para mudar. A seca é uma industria, uma fábrica de votos e de desvio de verbas.