terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

GARANHUNS A CAMINHO DO SESQUICENTENÁRIO



Garanhuns completa hoje 141 anos como cidade.

Aniversário do município durante muitos anos foi comemorado no dia quatro de fevereiro. Na atual gestão, a data foi mudada para o dia 10 de março.

Isso até hoje rende polêmicas. Fato é que as unidades da federação em geral comemoram aniversário levando em conta quando foram emancipadas politicamente e passaram da condição de vila à cidade.

É o caso de Caetés, Brejão, Paranatama e São João. Eram distritos de Garanhuns, foram emancipados e festejam o aniversário na data em que se tornaram cidades independentes.

O mesmo acontece com Lajedo, ex-distrito de Canhotinho; Jucati, que pertencia a Jupi e Capoeiras, ex-vila de São Bento do Una.

Jornalista e advogado, Manoel Neto Teixeira escreveu um artigo de muita repercussão sobre a mudança na data do aniversário de Garanhuns. Para ele, a Suíça Pernambucana regrediu ao passar a comemorar a sua elevação à categoria de vila.

Texto de Manoel foi publicado originalmente no Jornal do Commercio, do Recife. Já o reproduzimos aqui uma vez, assim como Anchieta Gueiros fez em seu blog, nesta segunda-feira.

Eis o texto citado, para ler ou reler:

É dado saber que o processo evolutivo não tem volta, principalmente em se tratando de datas históricas. Como diria o professor, historiador e editorialista Aníbal Fernandes: “O fato é sagrado, apenas o comentário é livro”. Queiram ou não alguns o fato, o fato normativo e histórico, imutável, é que Garanhuns galgou o status de cidade em quatro de fevereiro de 1879. Percorrer o caminho inverso, ou seja, festejar-se simplesmente a condição de vila, ao invés de cidade, é retrocesso a troco de nada e que só confunde as cabeças das novas gerações, milhares de alunos das redes pública e privada de ensino.

A formação dos primeiros núcleos comunitários, com suas características rurais, desde o Brasil Colônia até o Império até chegarmos à condição de República foi e continua sendo conhecida como vilas. Eram formadas por casebres, geralmente de taipas (ver Sobrados e Mocambos, de Gilberto Freyre), pequenas ruas, serviços mínimos, como fornecimento de água potável, energia elétrica (esta,  só para as vilas surgidas nas últimas décadas, pois nos velhos tempos luz só de vela e candeeiros). Esse estágio, primitivo, é que evoluiu como ainda evolui até galgar o definitivo status de cidade. O caminho inverso,  não se tem notícia, exceto agora, lamentavelmente abarcando a nossa Garanhuns.  

Trata-se de uma evolução natural e artificial, ao mesmo tempo, como é próprio da condição humana. E não ocorre da noite para o dia, é um processo, evolutivo, ao que sabemos sem volta; nenhuma cidade quer retroagir  à antiga e superada condição de vila. Com todo respeito a essas pequenas comunidades quando desenharam ou nada serviram de linha para o atingimento da condição de cidade.

Está registrado no volume 2 da coleção de documentos históricos municipais, edição 1994, trabalho de grande alcance realizado pela FIAM, a seguinte evolução histórica e normativa de Garanhuns: "Criação do termo - 20 de maio de 1833; Criação da Comarca: 7 de junho de 1836; Retorno da freguesia de Altinho ao termo de Garanhuns - 8 de maio de 1945; elevação à cidade - 4 de fevereiro de 1879; constituição do município (com base no Art. das disposições gerais da Lei Nº 3/8/1892 - 7 de janeiro de 1893".

Esse é o fato. Nenhum comentário, ou procedimento, particular nem mesmo emanado de órgãos públicos é capaz de alterá-lo, substituí-lo. Quem conhece um pouco de história sabe que do estado primitivo, nômade, o homem foi evoluindo até chegar à grande e definitiva criação - a cidade. Conquista irreversível e proclamadora do grau civilizatório e urbanístico dos povos dos povos de todos os continentes. - Texto gentilmente roubado lá do Blog de Roberto Almeida. - 

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