domingo, 27 de novembro de 2016

Fidel, Kennedy e Kruschev dividiram o mundo na crise dos mísseis, em 1962


 Mensagem Viva ao Fidel escrito numa parede
Che Guevara e Fidel Castro, já no poder, em 61
Pedro do Coutto
No final da semana Fidel Castro deixou Havana, foi para a eternidade e a repercussão mundial de sua morte comprova a importância de sua figura na história dos séculos XX e XXI. Vitorioso na revolução em 1º de janeiro de 59, tornou-se ditador de Cuba mantendo-se no poder absoluto até 2008, quando passou o governo a seu irmão Raúl. Foram muitas as violações de direitos humanos cometidas, que provocaram repúdio em todo o mundo. Liberdade é um bem supremo. Mas recebeu também muitos apoios, especialmente do bloco comunista que desabou com o fim da União Soviética e o ingresso da China moderna no sistema “capitalista”.
A China, pelo seu crescimento econômico, tem o segundo produto do mundo, da ordem de 10 trilhões de dólares, só perdendo para os EUA, que atinge o dobro dessa marca. A veloz expansão chinesa tornou-se o caminho da globalização dos dias de hoje.
Mas no título destaquei os três principais personagens da divisão  do mundo, crise dos mísseis de 1962, que Otto Maria Carpeaux foi o primeiro a considerar o episódio como um novo Tratado de Tordesilhas, de 1494, estabelecido  pelo Papa Alexandre VI, César Borgia, espanhol que assegurou domínio da Espanha nas terras latinas que iriam surgir. O Tratado foi entre Espanha e Portugal.
ROMPIMENTO COM EUA – A importância de Fidel castro cresceu, a partir do momento em que rompeu com os Estados Unidos e recebeu apoio de Nikita Kruschev, primeiro-ministro da URSS. Kruschev sucedeu Stálin, que detonou a guerra fria com os EUA. Atingiu o clímax quando Moscou instalou mísseis atômicos em Cuba, voltados para a Flórida, portanto, a curta distância. John Kennedy dirigiu um ultimato a Kruschev. Era novembro e amanhecia a perspectiva de um destruidor confronto nuclear. A tensão e a insegurança tomaram conta do planeta. Um ultimato é sempre uma ameaça sem volta.
O alívio só veio quando a União Soviética retirou mísseis da costa cubana e os filmes mostraram na televisão e as fotos nos jornais na época o retorno dos navios russos levando para a Europa o arsenal atômico instalado. Porém, como todo lance político possui pelo menos duas faces, Kruschev, a meu ver, abandonou Havana, trocando-a por Berlim. Cuba no complicado jogo internacional de poder valia menos que a Alemanha Oriental.
MURO DE BERLIM  Mesmo assim o muro de Berlim somente cairia em 89, com Ronald Reagan e Gorbachev, 27 anos depois da retirada dramática dos mísseis. Esse momento, sem dúvida, foi o mais importante da controvertida ditadura imposta em cuba por Fidel Castro, incluindo pena de morte a quem negociasse dólares no mercado paralelo ao da taxa oficial: um peso cubano, moeda da época, por um dólar.
A repercussão de sua morte na imprensa mundial confirma a importância de sua figura de ditador e revolucionário ao mesmo tempo. A história me julgará, disse ele certa vez, repetindo talvez inconscientemente a frase de Adolf Hitler, no auge do nazismo: a história me absolverá. Veio a derrocada, a história não o absolveu. O que de Fidel ficará na história, no futuro?
CUBA LIBRE – Repórter do Correio da Manhã, conheci Fidel em 59, quando veio aqui e ofereceu um Cuba Libre (Rum, Coca-Cola e rodela de limão) servido na Embaixada, Rua Djalma Ulrich. Estava ao lado de Guevara e Camilo Cienfuegos. Este morreu nas sombras de um desastre aéreo. Ernesto Che Guevara, Fidel o enviou para articular uma revolução comunista na Bolívia. Os rangers americanos estavam instalados nas selvas do país. Foi capturado e morto. Castro ficou solitário e absoluto no poder. A revolução de 59 passou a ser descrita por um só autor.
Autor e grande personagem, inegavelmente, da história, que é tão eterna como o ser humano. Outras versões e revelações surgirão. Interpretar personagens e fatos é um processo multilateral.

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