sexta-feira, 21 de maio de 2021

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE - (Mais um título brasileiro sem sentido. Porque não traduzir o título original?)

 

O Filme GIANT(gigante) completa 65 anos de filmado quando foi estrelado por Elizabeth Taylor, Rock Hudson  e  James Dean que marcou a derradeira atuação de James Dean no cinema: ele morreu antes mesmo de ver a obra concluída em acidente automobilístico com apenas 24 anos de idade.    


d.matt


Lembremos que o filme original tem o nome de GIANT e   é  centrado numa gigantesca fazenda de  milhões de hectares, com milhões de  cabeças de  gados e cavalos, com dezenas, talvez centenas de cowboys para controlar tamanho rebanho. É verdade que o enredo principal,  escrito pela autora Edna Farber, está mais centrado na família Benedict  e sua influência financeira e política local e estadual, devido a imensidão de suas terras,  maior até que alguns pequenos países europeus. 


como quase sempre, o livro é melhor  que o filme. o enredo   é inferior em qualidade ao gigantesco romance,   que merecidamente exalta a grandeza e qualidade  boas e ruins do grande Estado americano. Sua narrativa, bem elaborada e descritiva  é uma enciclopédia sobre os usos e costumes do nação norte-americana.   Bem explicitado no livro,, o que acertadamente o autor da adaptação do enredo e o  diretor conseguiram mostrar no filme.


A fita  mostra desde o início a  "diferença"  entre os seres humanos e os mexicanos, que são seres à parte. Tratados com  muito pouca civilidade sempre desdenhados, sendo considerados como escória e lixo pelos poderosos texanos. Nota-se que o personagem JET RIT   interpretado pelo ator James Dean, apesar de pobre e empregado da fazendo,  recebe  um tratamento menos preconceituoso dos seus arrogantes patrões, isto porque ele "é branco  e texano" e suas  extravagâncias e audácias, são  sensivelmente toleradas e ele  também  considera os mexicanos miseráveis como lixo humano, uma vez que não são, americanos, texanos e são de raça "inferior" segundo o seu julgamento  racista e  boçal.


George Stevens mereceu um Oscar de melhor direção em 1956, prêmio muitíssimo justo pois a sua direção é segura e mantem o filme num elevado padrão de qualidade, até a metade do filme. George Stevens já era considerado um excelente diretor, tendo nos presenteado com  o belíssimo filme UM LUGAR AO SOL em 1951, e posteriormente dirigiu o belíssimo e clássico  western SHANE  em 1953,  do qual um dia ainda  escreveremos a respeito.


O filme de que trata este artigo  muda de tom e deixa de ser um western  a partir do momento em que o seu pobre empregado encontra petróleo em seu terreno, localizado  dentro da fazenda Reata. Um pequeno lote de terra  deixado por herança  pela  irmã do  fazendeiro morta por acidente  rural.  O filme muda completamente, de um semi-western passa a ser um dramalhão, agora quase totalmente focado no sentido de preconceito racial, financeiro, e  de estatura politica  e social.


No livro a  escritora Edna Farber  faz volteios mágicos para salientar, no somente, o comportamento de todos os seus personagens, inclusive, fica bem claro nos seus escritos que o personagem do UNCLE BAWLEY,  no filme interpretado pelo ator Chill Wills é  sem dúvida um personagem Gay. Mas todos fingem  ignorar esse fato, pois seria impossível imaginar, um texanos, machão Gay, no meio  de tantos machões da região,  o diretor e roteirista também fazem  vista grossa, mas por vias das  dúvidas, mantém o personagem,  no estado civil de solteiro  em todo o filme,  mas  com muita dignidade.

 

Desde o começo do filme, ao chegar à fazenda Reata, o personagem JET RIT (James Dean) chama a si toda atenção, devido aos seus maneirismos  no modo de falar e na sua postura corporal.  Parece uma enguia se escondendo e aparecendo, na verdade querendo  chamar a atenção para o seu personagem, o que ele consegue em parte. Miss Taylor, com uma beleza exuberante,  não precisa se esforçar para chamar a atenção sobre si, pois é  o protótipo da mulher bela e ela sabe explorar muito bem essa graça recebida de Deus.


O machão (no filme), Rock Hudson, faz uma força tremenda para parecer  um texano autêntico e durão, mas em vão, seu desempenho fica muito a desejar, o papel merecia um ator com mais força e personalidade e não esse ator de comédias românticas, sem nenhum apelo dramático. Não dá para entender, quer dizer, se você conhece os bastidores dos prêmios Oscar,  vai entender o porquê da sua absurda indicação ao prêmio de melhor ator  nesse filme.


O  cultuado ator James Dean, também foi indicado ao prêmio de melhor ator, nesse filme. Porem nesse caso entendemos a  indicação do seu nome como melhor ator, devido a sua morte trágica,  ocorrida antes do lançamento do filme.  Foi apenas uma homenagem, mas  não uma indicação por mérito, uma vez que a sua atuação neste filme é a pior da sua breve carreira.  Da metade até fim do filme , ele se repete nos seus maneirismos interpretativos, sem qualquer originalidade e  mudança de postura, uma vez que o seu personagem  exige uma nova postura de poderoso milionário e não de um, cafajeste rural, conforme ele interpreta  a sua postura como  poderoso homem de negócios e cidadão proeminente dentro do Estado.


A autora quis demonstrar e conseguiu no seu romance, de como as pessoas se comportam quando o dinheiro jorra escandalosamente  em cima da suas cabeças. Tudo muda literalmente. Como exemplo, cito um diálogo  ocorrido no meio do filme:

A sra, Benedict L.Taylor )  pergunta :

Como vão os negócios?

a outra responde: Estamos conseguindo um milhão.

- Um milhão de barris de óleo?

-Não, um milhão de dólares.

-Um milhão de dólares por ano?

-Não, um milhão de dólares por mês.

Quer dizer, não há cabeça que se mantenha lúcida, depois dessa.

 

Nem a autora do livro  e nem o filme explica, porque somente o xicano ( Sal Mineo ) filho de uma empregada da fazenda, quando cresce vai a guerra e volta dentro de um caixão militar. Porque o filho do fazendeiro não vai a guerra? Porque o genro do fazendeiro vai a guerra e volta são e salvo? Será que só os Xicanos são  heróis e valentes e  merecem morrer pelo Texas, sua terra  adotiva?


As cenas finais são constrangedoras,  com acentuadas  denuncias de preconceitos raciais,  não só no  livro, mas também no filme.  As cenas  do confronto  e brigas de R.Hudson e J.Dean  estão ridículas, mal planejadas, mal interpretadas e sem qualquer aceitação, seja no livro, como no filme. Nem um mágico diretor poderia melhorar aquelas cenas deploráveis,  difíceis de serem aceitas, no contexto da estória  original.


É de notar  que o responsável pela maquiagem dos personagens  estava muito longe do Texas durante a filmagem.  Seu trabalho é lamentável. Quando os personagens precisam aparentar uma certa idade, 50/60 anos, ele simplesmente borrifa exageradamente  os cabelos dos atores com uma tinta ou pó cor de cinza exageradamente e  o rosto e corpo dos personagens ficam sem mudança desde o início do filme. Grande falha da produção, que também não cuidou muito bem da direção de arte.


Aquele final do Bilionário fazendeiro   racista,  lutando  e sendo esmurrado violentamente, pelo direito do neto xicano ser servido no restaurante,     é inverossímil e causa até constrangimento. É digna de uma comédia dos três patetas. 


Ao final, entendemos que todos são derrotados, mas ignoram as derrotas e voltam às suas vidinhas ricas e  vazias, numa piscina  transbordando de dólares. O resultado final fica muito abaixo do esperado de um filme do  excelente diretor George Stevens.

https://www.youtube.com/watch?v=IGJVuTn461c

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