terça-feira, 9 de maio de 2017

POPULISMO E DEMAGOGIA: LULA ARMA O CIRCO



Luiz Inácio Lula da Silva pode não ser culpado de tudo de que é acusado em matéria de corrupção, mas é um atentado ao bom senso imaginar que ele nada tem a ver com o mar de lama que sob seu nariz atingiu profundidade inédita em 13 anos de PT no poder. Por outro lado, é igualmente insustentável o argumento de que a Operação Lava Jato é instrumento de uma conspiração armada para criminalizar o ex-presidente e seu partido, uma vez que praticamente todas as lideranças políticas de alguma expressão, todos os grandes partidos, e não apenas Lula e o PT, estão implicados nas investigações de corrupção. É a inconfessada consciência dessa realidade que, em desespero de causa, está levando o lulopetismo, com a esquerda a reboque, a apostar no caos, apelando para recursos espertos e condenáveis como transformar uma vara judicial em palanque político e Curitiba em praça de guerra. É o que Lula pretende fazer na capital paranaense, quando depuser perante o juiz Sergio Moro em um dos cinco processos em que é réu por corrupção.

Para quem não tem o menor constrangimento em exaltar o “extraordinário sucesso” da “greve geral” do último dia 28, é fácil imaginar o precioso material de propaganda que poderão significar imagens da “manifestação espontânea” de militantes que, nas ruas de Curitiba, farão o possível para provocar a “repressão policial”. Petistas estimam que pelo menos 50 mil pessoas atenderão à convocação para “apoiar Lula”. Fez bem o juiz Sergio Moro, portanto, ao divulgar vídeo nas redes sociais, desaconselhando que apoiadores da Lava Jato saiam às ruas da capital paranaense.

“Tenho ouvido que muita gente que apoia a Operação Lava Jato pretende vir a Curitiba manifestar esse apoio, ou pessoas mesmo de Curitiba pretendem vir aqui manifestar esse apoio. Eu diria o seguinte: esse apoio sempre foi importante, mas nessa data ele não é necessário. Tudo que se quer evitar nessa data é alguma espécie de confusão e conflito”, afirma Moro.

Com a mesma preocupação de evitar conflitos, a Justiça do Paraná proibiu, na última sexta-feira, manifestações públicas que impliquem a “montagem de estruturas” na área da sede da Justiça Federal em Curitiba e recomendou que sejam negociadas com as lideranças de manifestantes “soluções a fim de garantir o direito de manifestação, com as limitações ora deferidas”. Por medida de precaução, não haverá expediente no prédio da Justiça Federal amanhã e o acesso ao local só será permitido a pessoas cuja presença esteja relacionada com a audiência.

Todas essas medidas acauteladoras são realmente sensatas e óbvias e demonstram que, em tese, providências oficiais cabíveis estão sendo tomadas para evitar tumultos nas ruas de Curitiba. Na prática, porém, é inevitável o perigo potencial de que pessoas que decidam “pacificamente” ignorá-las acabem provocando a ação repressiva dos policiais. Esse é um cenário que com toda certeza não desagradaria a Lula e sua turma, que quando estão em dificuldades, como hoje, recorrem à hipocrisia de assumir o papel de vítimas das “injustiças” e “perseguições” que “eles” impiedosamente lhes infligem.

Está armado, portanto, mais um ato do grande circo populista do lulopetismo. Hoje à noite, véspera do depoimento, com a provável presença de todas as lideranças importantes do PT convocadas a Curitiba, Lula participará de um ato ecumênico na Catedral Metropolitana. Após o depoimento, amanhã, fará um pronunciamento público cujo teor é possível imaginar: o “homem mais honesto do Brasil” demonstrará toda sua indignação pelo fato de estar sendo penalizado por ter feito um governo “a favor dos pobres”. E provavelmente repetirá a esperteza que não teve nenhum escrúpulo de usar no vídeo de propaganda do PT veiculado na semana passada. Ignorou, então, deliberadamente o papel de sua pupila Dilma Rousseff na crise que o País enfrenta, para prometer, cinicamente, como candidato à Presidência no ano que vem: “Eu tenho certeza de que nós podemos retomar o caminho do crescimento”. Isso, obviamente, se escapar da prisão. (Editorial do Estadão).

Nenhum comentário:

Postar um comentário