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segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS CUECÕES DO PT COSTUMAM PRATICAR COITUS ININTERRUPTUS STALINISTA...




RAÍZES DA CORRUPÇÃO
NA ERA PETISTA

Bolívar Lamounier


Sim, sim, eu sei: a corrupção existe na alma humana. E o Brasil tem uma longa tradição no ramo, desde a chegada das caravelas. E não existe pecado abaixo do equador. E a impunidade campeia, até o judiciário está cheio de gente se lambuzando. Fiquem os caros leitores à vontade para acrescentar quantos pontos quiserem a esta lista. Mas é óbvio que, nesse nível de generalidade, não chegaremos a compreender o volume e muito menos a naturalidade com que a corrupção passou a ser praticada na era petista. O que ofereço abaixo é um simples aide-mémoire dessa triste história.


OS PRIMÓRDIOS


Historicamente, o modelo de partido adotado pela parcela mais organizada da esquerda brasileira foi o da “vanguarda profissional”-, de inspiração soviética. Esse modelo começou a mudar no final dos anos 70, com a formação e a crescente influência do Partido dos Trabalhadores. Não é necessário recordar aqui todos os meandros daquela conjuntura. Lembrarei apenas que o PT se constituiu no finzinho dos anos 70, isto é, num quadro em que: (1) não cabiam mais dúvidas quanto à derrota da luta armada; (2) a Igreja, sob a influência da conferência de Medellín, de 1976, esquerdizava-se a olhos vistos; (3) a mobilização política convocada e comandada por líderes democráticos como Ulisses, Montoro, Tancredo, Fernando Henrique e outros a fim de exigir a redemocratização do país continuava a ganhar corpo; (4) a estupidez repressiva do regime militar empurrava a classe média conservadora para a oposição e até fomentava uma “demanda” de esquerdismo em grande parte dela; (5) no plano internacional, o descrédito do sistema soviético fechava a via comunista tradicional. Nessas condições, a esquerda se propagou com uma extrema facilidade, muita habilidade e – não menos importante - o benefício da normalidade democrática restaurada a partir da vitória de Tancredo no Colégio Eleitoral, em janeiro de 1985. Trocando o “OBSOLETO” leninismo pelo “ATUALIZADO” gramscismo, a esquerda encontrou guarida até no colo de pais que antes não a aceitariam como nora. Pois o gramscismo o que era, afinal? Era a miragem de uma grande mudança no plano da ética social e política; de uma revolução que prometia ocupar uma parte da casa sem incomodar ninguém; de um socialismo tão vago (“AINDA POR INVENTAR”, DIZIAM OS SÁBIOS DE PLANTÃO) que ninguém precisaria tentar entender. Enquanto esse script era elaborado no altiplano dos melhores espíritos, algumas providências - como direi? - “CONCRETAS” avançavam por obra e graça das diversas correntes que viriam a compor o petismo. Por toda parte, a “MILITÂNCIA” dedicava-se com afinco à tarefa de construir o partido. Num canto, um grupo vendia chaveiros e estrelinhas para poupar a nova agremiação do dissabor de depender financeiramente da burguesia. Noutro, sentada no chão, uma pequena multidão iniciava-se nas artes da democracia direta, também conhecida como “ASSEMBLEÍSMO”. Nas salas de aula, os “TRABALHADORES INTELECTUAIS” davam inicio àquilo que o certeiro verbo do jornalista Josias de Souza denominou “HISTORICÍDIO”: a teoria de que nada jamais prestou no Brasil; que, desde Cabral, todos os homens públicos eram farinha do mesmo saco; que, enfim, sempre fomos um país dividido entre a “ZELITE” e o povo; e que este, agora sim, poderia respirar aliviado, POIS DEUS OU ALGUMA INSTÂNCIA EQUIVALENTE FINALMENTE CONFECCIONARA O PARTIDO E O LÍDER CARISMÁTICO CAPAZES DE O SALVAR. Desculpem-me por me estender tanto, mas eu queria preparar o pano de fundo para um ponto que precisa ficar muito bem compreendido. Nas condições que acima descrevi (sumariamente, é óbvio), milhares e milhares de pessoas espalhadas pelo Brasil passaram a se ver como integrantes de uma comunidade politicamente forte e livre dos “maus hábitos” dos antigos partidos comunistas. O fio invisível que interligava essa gente toda era um velho conhecido: o pensamento escatológico. Escatologia: emprego este termo para designar a crença na construção de um paraíso terreno, ou no advento de algo semelhante ao cristianismo primitivo. A expressão exata não precisa nos ocupar aqui, o que importa é que dessa forma se recriou o mito marxista da “SOCIEDADE SEM CLASSES”. Antes acessível somente aos “POUCOS MAS BONS” de que falava Lenin, esta nova versão estava fadada a se massificar. Chegaria a todos os lares e não custaria (até porque não valia) muito mais que um refrigerante. Mas a crença num futuro fraterno e açucarado, o quê tem a ver com corrupção? O que tem a ver? Não direi tudo, mas quase tudo. Muita coisa.  Facínoras, assaltantes, estelionatários, contrabandistas etc não precisam elaborar ideológica, ética ou filosoficamente os seus objetivos e métodos. Eles não são muito chegados nesse tipo de poesia. Fazem o que fazem au jour le jour, preocupados apenas em não ser presos e em não morrer. A última coisa que podem querer é um grande número de seguidores: isso seria um tiro no pé, pois significaria dividir o butim por muito mais gente.  Um partido de esquerda, e ainda por cima gramsciano, funciona ao contrário. Quer e precisa mobilizar milhões de pessoas. E sabe que uma mobilização de tal envergadura requer um embasamento ético. É nesta altura que a escatologia se mostra não apenas motivadora, mas também útil. Os milhares e milhares que acreditam nela geralmente se deixam convencer de que os fins justificam os meios. Observar as leis burguesas, o direito burguês, a pretensa distinção burguesa entre o público e o privado, estando em jogo a construção do paraíso terreno? NEM VEM QUE NÃO TEM. Levar essas coisas a sério é muito pior que cometer uma tolice ou aceitar certo grau de ineficiência: é trair o “povo”, os “pobres”, aqueles todos a quem prometemos a salvação. Sim, é verdade, o PT não é mais um adolescente. Já completou 30 anos. Esse ranço escatológico esmaeceu. Pode ser que sim, mas durante um longo período ele foi um ingrediente poderoso na peculiar ambiguidade ética petista. Estávamos no final do século 20, mas certas cabeças pensantes e certas facções ideológicas ainda se arvoravam em portadoras de um plus capaz de salvar a humanidade. Julgavam conhecer - SÓ ELAS CONHECIAM - a estrada real. Ora, quem se vê dessa forma salta facilmente para a crença de que os fins justificam os meios. Não há como fazer omelete sem quebrar alguns ovos, não é mesmo?  Para o true believer, os fins justificam os meios. Aí está, no meu modo de ver, a primeira de três raízes da corrupção na era petista. A EXPANSÃO ELEITORAL E A CONQUISTA DE PREFEITURAS, Fato é que o PT nunca se livrou da marca originária de um partido “anti-institucional” (expressão empregada num estudo do PT feito por um petista). Só que esse partido anti-institucional também queria crescer como organização e como máquina eleitoral. Seu objetivo, como o de qualquer partido, era chegar ao poder nacional. Que fazer? Como chegar lá sem ceder às tentações da carne? VENDENDO CHAVEIRINHOS? A segunda raiz ou segunda etapa da corrupção desabrochou à medida em que o partido começou a ganhar prefeituras e a se enfronhar no doce labirinto das propinas e dos sub- e super-faturamentos. Por razões mais que óbvias, o caso mais célebre mas não o único ficou sendo Santo André. A terceira raiz – E QUE RAIZ! – constituiu-se em torno do projeto de poder de longo prazo acalentado com mais densidade e perseverança por uma parte da cúpula petista. Neste ponto eu não preciso me alongar, pois os fatos (ou uma parte deles…) tornaram-se conhecidos no episódio do mensalão.  De fato, a crise que se iniciou em 2005 trouxe ao conhecimento público uma vasta rede de corrupção através da qual o PT e outros partidos ligados ao governo traficaram dinheiro público através de empresas estatais e bancos “AMIGOS”, super- ou subfaturando serviços supostamente prestados por empresas de publicidade, e ocultando ou diluindo (ATRAVÉS DE NUMEROSOS SAQUES) certos fluxos financeiros. Na verdade, as denúncias de corrupção e a atribuição delas à formação da base de apoio congressual não começaram com as revelações feitas à jornalista Renata Lo Prete pelo deputado Roberto Jefferson. Pelo menos um ano antes, a imprensa esporadicamente informava que os métodos heterodoxos a que o PT recorria eram comentados nos corredores do Congresso. O aluguel da base por meio do mensalão - fato que José Dirceu, Delúbio, Silvinho & Cia ainda tentam negar-, foi atestado direta ou indiretamente por integrantes da própria elite petista. Eleito Lula, esse partido minoritário, de origens confusamente esquerdistas, messiânico e arrogante, mas ferreamente controlado em moldes burocráticos pelo chamado “GRUPO MAJORITÁRIO”, logo arregaçou as mangas, tratando de arranjar uma base de sustentação para o governo Lula. No dia 07.02.2006, o Frei Betto deu à jornalista Mônica Bérgamo da Folha de São Paulo uma entrevista sobre o livro “A MOSCA AZUL”, que acabara de lançar:

“FOLHA - Quem vai ficar surpreso com o livro?

FREI BETTO - Ficarão possivelmente constrangidos aqueles que se deixaram picar pela mosca azul.

FOLHA - A mosca azul picou Lula?

FREI BETTO - Não, o Lula, não. Ele é muito responsável. Mas mordeu o PT, sobretudo o pessoal do Campo Majoritário, que achava que, uma vez Lula eleito, eles ficariam 20 anos no poder”. A HISTÓRIA COMPLETA É PROVÁVEL QUE AINDA NÃO CONHEÇAMOS, MAS O ESSENCIAL AÍ ESTÁ. ALÇADOS AO GOVERNO FEDERAL EM 2002, A DIREÇÃO PETISTA OU UMA PARTE DELA TRATOU DE AZEITAR A MÁQUINA PARA VOOS MAIORES: UM SISTEMA DE PODER BASEADO NO CONTROLE DA SOCIEDADE POR MEIO DO PODER ECONÔMICO DO ESTADO - MUITO MAIS ABRANGENTE, AO QUE TUDO SUGERE, QUE A MERA COMPRA DE VOTOS NO CONGRESSO-, A FIM DE ASSEGURAR SUA CONTINUIDADE NO PODER.

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